Algumas dezenas, centenas ou milhares de agentes das forças de segurança em manifestação em frente à Assembleia da República.
Fazem o que nunca ninguém fez até hoje.
Sobem a escadaria.
O Corpo de Intervenção (em serviço) presente no local nada faz.
Não há invasão porque não querem.
Foram visiveis, aliás, os cumprimentos amigavéis entre os manifestantes e um ou outro elemento do CI.
Tivessem civis decidido subir as escadarias e os bastões tinham entrado em acção, como se viu em casos recentes.
Hoje?
Hoje, nada!
Disseram, à sua maneira, que já chega.
E mais não fizeram, porque não quiseram e porque sentiram que o que hoje fizeram foi o suficiente.
Políticos, magistrados e forças de segurança (os que empunham as armas e têm as chaves das chaimites e dos submarinos) são os três pilares que, sob o ponto de vista de um Governo (qualquer Governo!) têm de ser "controlados" e mantidos satisfeitos.
Um desses pilares hoje revoltou-se e mostrou (sem, aparentemente, nada de especial mostrar) que A linha foi quebrada.
E agora?
Não sei.
Só sei que, parecendo que não, e independentemente do amanhã, hoje foi um grande dia.
E o nosso PM vai ter uma noite em branco, porque sabe que este dia de Novembro foi, sem dúvida, o pior dia do seu mandato.
Recuas, cedes, ou vais em frente, oh primeiro?
A revolta civil não chega.
Temos apoios de outros sectores?
O amanhã dirá.
Hoje, vou dormir satisfeito.
Independentemente das consequências e dos resultados desta manif.
A ver vamos se haverá paz ou se se fará História novamente.